quinta-feira, 24 de julho de 2008

Arjuna Earth Girl


Esta é uma série balanceada pelo movimento ambientalista e pelo politicamente correcto. Sendo assim poderíamos pensar… que seca! No entanto durante os 12 episódios conhecemos os males do nosso planeta de forma metafórica, sempre com ritmo e interesse.

O que primeiro parecia um panfleto ambientalista, depois torna-se numa descoberta da alma das pessoas, dos seus relacionamentos, na dificuldade em se ter uma vida diferente ou melhor… alternativa. O ser humano apesar de tudo continua com dificuldades em entender-se e conhecer os seus próximos. Não devemos ser conformistas, devemos pensar por nós próprios e procurar as respostas sem ilusões ou propagandas.

Arjuna mostra-nos uma visão idealista de uma ligação perfeita entre o homem e a natureza, será possível, será sustentável? A verdade é que a vida é frágil e desequilíbrios no sistema podem gerar catástrofes. Misturam-se conceitos filosóficos com princípios de vida com o objectivo de uma auto-reflexão e consciencialização do papel do homem na natureza. A mensagem poderá ser muitas vezes extremista e idealista, mas sempre plausível, revelando uma destruição da humanidade devido aos abusos do engenho humano.

E termos técnicos, apesar de ser já de 2001, a animação é muito boa, fluida, a lembrar o filme “Tokikake”; assim como a banda sonora apoiada em elementos étnicos ligados à “world music” que emprestam um excelente ambiente a quem é espectador. Quantos às personagens, elas são bastante profundas emocionalmente, como por exemplo a ligação entre Tokio e Arjuna, ou até a relação da protagonista com a família especialmente o seu pai.

Arjuna Earth Girl é muitas vezes contemplativo, tornando-se algo confortável e aprazível de se assistir. A mensagem que fica após terminar a nossa visita ao mundo de Arjuna é a de que o mundo poderá ser um pouco melhor se todos nós mudarmos um pouco que seja Nota 4,2 Principalmente pela mensagem importante que passa e pela forma humana como é transmitida

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Ghost in the Shell


Não é necessário estar a alongar-me sobre um filme sobre o qual muito e bem se tem dito ao longo dos anos. Diria somente que existem dois filmes determinantes na expansão do cinema e da cultura animé pelo mundo. Akira e Ghost in the Shell.




Revisto agora por mim, só confirmou a ideia que tinha. Uma verdadeira obra prima (ao que parece o Spielberg concorda), não do animé mas sim do cinema.




Um filme que quando olhamos para ele e reparamos que já foi feito em 1995, nos deixa estupefactos pela qualidade da animação e sobretudo pelo discurso.




Uma profunda reflexão sobre o ser humano, sobre a filosofia do ser/existir, integrada num ambiente futurístico bastante plausível.




Tudo neste filme parece ser-nos oferecido em doses certas. Os momentos de acção, os momentos de contemplação, a filosofia, o futurismo, a trama política... tudo encaixa perfeitamente acompanhados por uma fantástica banda sonora da responsabilidade de Kenji Kawai.




NOTA: 4,8

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Naruto Shippuuden Filme 1 - Naruto Morre


Esta é uma história sobre o destino. Sobre se estamos presos numa teia superior a nós que nos manipula e que nos conduz inexoravelmente para um fim predeterminado e imutável, ou se através da nossa vontade, da nossa confiança e da nossa tenacidade conseguiremos mudar, alterar ou mesmo escolher o destino que se nos afigura. A premissa desta animação é… Naruto morre! Será que acontece, será que a sacerdotisa que previu a morte de Naruto e que nunca se enganou está certa? Neste filme não temos grandes novidades de animação ou na identidade e personalidade das personagens em relação à série. Naruto sempre meio bobo, Sakura sempre em conflito com ele. Das personagens conhecidas dos fãs de Naruto temos então a equipa 7, constituída por Naruto, Sakura, Rock Lee e a capitanear não Kakashi mas sim Neji Hyuuga, a escoltar e proteger Shion, uma sacerdotisa com o poder de selar Mouryou uma entidade do outro mundo que pretende unir sobre o seu domínio todas as nações e criar o “Reino Milenar”, que entretanto foi libertado por Yomi, um ninja com técnicas médicas insere dentro do seu corpo Mouryou. Com Yomi estão mais quatro ninjas que tentam assassinar Shion a sacerdotisa, a única que poder deter a entidade. A história é competente, não demasiado banal nem demasiado fácil para o espectador. A personagem de Shion consegue ser complexa, o seu fardo de prever a morte dos que lhe são próximos, torna-a aparentemente mimada e fria, o que obviamente com o emocional Naruto só poderá causar faísca. Sendo uma história paralela à série, o investimento emocional feito pelos fãs na história de Naruto que acompanham a série não tem obviamente a mesma força do que se envolvesse por exemplo Sasuke, mas ainda assim não me parece pessoalmente que para quem goste e acompanhe Naruto, este filme seja um desilusão. Resumindo, é um filme com a qualidade de animação habitual, com boas personagens tanto a nível de design como de construção psicológica, e que certamente agradará aos fãs ainda que não tenha aquele clique que nos faça apaixonar pelo filme. Gostei da personagem de Shion, se esta entrar na série ou em próximos filmes penso que não destoará e poderá dar algo mais à narrativa desta já longa história de Naruto e companhia.


NOTA - 4

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Ranking Número 2

Tendo 20 notas mesmo que ainda não tenha escrito as visões (lol nem sempre me apetece) deixo aí a tabela classificativa actual. de ressalvar que por o problema de fazer um cálculo minimamente científico, neste caso uma média de vários factores, pode não representar uma classificação pessoal. Apenas um exemplo. True Tears é bom, mas pessoalmente diverti-me muito mais com KareKano. São coisas da matemática :) 1º - Rurouni Kenshin Tsuiokuhen - 5 2º - Byousoku 5 cm - 4,5 3º - Ergo Proxy - 4,4 4º - School Days - 4,2 True Tears - 4,2 Sayonara Zetsubou Sensei - 4,2 7º - Arjuna Earth Girl - 4,2 8º - Kare Kano - 4,2 9º - Naruto Shippuuden (Filme 1) - 4 10º - Bamboo Blade - 3,9 11º - Abenobashi Maho Shoten Gai - 3,9 12º - Gunslinger Girl - 3,9 13º - Tenjou Tenge - 3,3 14º - Yotsunoha (OVA)- 3,3 15º - Amaenaideyo!! Katsu!! - 3,2 16º - Himawari! - 3,1 17º - Natsuiro no Sunadokei (OVA) - 3,1 18º - Amaenaideyo!! - 3 19º - Kamisama Kazoku - 3 20º - Early Reins (OVA) - 2,6

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Gunslinger Girl

Numa Itália semi-imaginada, o governo luta contra facções terroristas para manter as rédeas do país. Para isso criou uma força especial composta por jovens adolescentes às quais lhes foi dado um corpo artificial. Estas jovens são recrutadas entre pacientes perto da morte. Elas fazem parte da divisão 2 e são integradas em equipas com um orientador, um agente mais velho. Este binómio é apelidado de “fratello”, irmão em italiano. Enquanto seguimos uma história bem construída e interessante estamos constantemente defronte uma “realidade” que nos desafia moralmente e intelectualmente. Meninas reconstruídas, condicionadas quimicamente a ser subservientes aos seus orientadores! Além de improbabilidade de tal realidade, é algo que eticamente nunca poderia ser aceite pelo normal ser humano. Estas meninas, que foram transformadas em meros utensílios de guerra, são em si paradoxais, pela extrema delicadeza revelada ao longo dos episódios, das suas conversas em volta dos temas mais banais como o amor, e pela frieza com que cumprem as missões. A alma de adolescente está presente nas raparigas, Henrietta, Rico, Triella, Claes, Angélica e Elsa… mas na realidade o que são? Reais, Robôs? Uma dúvida que nos assola. Como terá tanta vida uma máquina assassina. A história está bem distribuída, com o decorrer das missões vamos conhecendo a história das adolescentes e do seu relacionamento com os orientadores. Poderíamos dizer que o par José/Henrietta, são os papéis principais, e muita da dinâmica ao longo dos episódios são gerados pela relação entre ambos. José trata Henrietta como uma irmã mais nova, ao contrário da maioria dos outros orientadores. Ou melhor, a maioria dos orientadores evita ligar-se emocionalmente às suas raparigas. Uns por receio e incompreensão com o que lidam, outros como forma de auto-protecção contra eventuais mortes das raparigas. José por seu lado evita tratar Henrietta seja como um utensílio ou uma arma, ele cuida e protege Henrietta, trata-a ou tenta tratá-la como uma rapariga normal, evitando também um “condicionamento” elevado da adolescente. Henrietta por seu turno está apaixonada por José. Nada de anormal dado que o “condicionamento” tem como objectivo total lealdade e controlo do orientador sobre a rapariga, e que muitas vezes tem como efeito secundário o enamoramento destas pelo orientador. Mas com Henrietta temos sempre dúvidas se a sua devoção é genuína ou artificialmente gerada. No entanto todas as outras personagens são apresentadas e é-lhes construída uma história minimamente sólida. Temos em Gunslinger Girl, Uma história competente, com acção, bem gizada, com uma animação razoável e sobretudo personagens que nos atraem pelas dinâmicas criadas do relacionamento entre elas. NOTA - 3,9

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Makoto Shinkai


Vou deixar aqui um link para um excelente artigo sobre o realizador da Obra-prima Byousoku 5 cm, no Subete Animes

è só clicar :)

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Himawari!

Ao longo de 13 episódios temos a oportunidade de seguir o percurso da jovem Himawari Hinata na sua iniciação na academia ninja para raparigas. A história começa quando um jovem professor é contratado para uma escola bem especial, para ensinar como funciona o mundo exterior e considerado normal, às aprendizes das artes marciais. Hayato Marikoji é o professor que tem de lidar com estas jovens especialmente truculentas, e que se vê alvo da dedicação algo incómoda por parte de Himawari que após ser salva pelo professor, o encara e o apelida de mestre. Himawari não é no entanto uma das raparigas mais populares, pois é a única que não foi seleccionada geneticamente para ser treinada como ninja. As duas personagens principais são assim dois seres desajustados do seu ambiente e que lutam por encontrar o seu espaço entre os escolhidos. Este é um anime leve, divertido, onde as personagens, cada uma com traços de personalidade bem vincados, ainda que com pouca profundidade dramática e mental, são de fácil empatia e apreço. Existe também algumas personagens mais absurdas que emprestam um tom cómico à narrativa, como Tsukyohime que faz questão de surgir quando menos se espera, sempre sentada à mesa onde prepara sopa de miso, na qual consegue vislumbrar o presente e o futuro. Ou o peidorrento Momota, o animal de estimação de Yusura, uma das ninjas da academia, que faz dos seus maus odores o ataque mais letal. Que animal é… não se sabe bem, mas também não interessa. Ou ainda o kappa (espécie de lagarto humano mítico) Yonesawa, namorado de Yusura, que adora pepinos e consegue sempre deixar pouco à vontade o professor Hayato que o acha estranhíssimo. A própria Himawari contém elementos de profunda comicidade, pois a jovem por vezes desastrada, tem como principal mentor não os professores da academia, mas a sim uma série televisiva sobre ninjas onde vai buscar ensinamentos e inspiração para ultrapassar as situações mais complicadas. Toques cómicos e de absurdo que tornam Himawari! num passeio relativamente agradável embora certamente mais apelativo aos mais jovens. Ainda assim, são-nos deixadas pistas e dúvidas sobre quem será Hinata Himawari, alguém salvo de um avião em queda por um ninja aparentemente relacionado com o professor, e qual será a ligação entre Hayato e a jovem kunoichi (ninja feminino). Talvez questões a responder numa segunda série entretanto já exibida no Japão, Himawari!! Nota - 3,1